quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Amanhecer



Não quero encarar a claridade desse dia e perceber que você não está aqui
Você nunca esteve aqui
Não quero que a noite se vá e me deixe com a crueldade do dia
Nâo quero que amanheça e o que está oculto apareça
Não quero ver a sua ausência,
Tão clara ao amanhecer.
Não quero que amanheça,
E o suave véu da noite que me cobre,
Seja tirado,
Deixando-me descoberta e exposta.
Quero viver essa noite sem fim,
Onde eu posso viver a fantasia de que no outro dia você irá voltar pra mim.

Tami Fróes

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Conto





Geente,assim,vo postar um pequeno conto que escrevi esse dias,mas acho que ele vai ter continuação,to pensando ainda no que fazer.Se,e eu disse 'se' eu resolver escrever mais posto aqui,tá?
Era uma noite de lua crescente,quase cheia,meu coração estava pesado,angustiado,mas eu sabia que ao lado dele não deveria me preocupar,nada poderia me atingir alí.Aquele era o nosso pequeno paraíso,o nosso momento perfeito.E nada ficaria entre nós.

—Você confia em mim? — perguntou ele naquele seu tom de voz musical.Aqueles olhos brilhantes me deixando cega.
— É claro que confio em você. — disse eu incerta se estava dizendo aquilo porque confiava nele de verdade ou se estava me deixando levar por aqueles olhos cinza - claro e aquela voz hipnótica.
Ele então aproximou-se de mim e como se eu já pertencesse a ele tocou em minha face com doçura e intimidade,traçando delicadamente os contornos do meu rosto.Ao chegar em meus olhos fechou-os e sussurrou em meus ouvidos : — Agora deixe-se levar pelos sons ao seu redor e esqueça quem você é pelo máximo que puder.Entregue-se ao mundo e ele te dirá as respostas que deseja.
Ao dizer isso ele afastou-se e eu senti como se uma parte de mim tivesse sido tirada,um vazio apoderou-se do meu corpo,como se um membro tivesse sido amputado.Mas ouvindo o conselho dele eu apenas deixei o som do mundo me guiar,esquecendo meu nome,minha vida,esquecendo de mim.
Mantive meus olhos fechados,minhas mãos tocando a terra fria e úmida que enviava sensações estranhas pelas pontas dos meus dedos e pela palma das mãos,uma espécie de formigamento,mas não era uma sensação ruim,pelo contrário,era boa,parecia que a vida estava entrando pelos poros da minha pele.Podia sentir o pulsar do mundo na ponta dos meus dedos e aquilo me deixou extasiada.
Agucei meus ouvidos um pouco mais e pude ouvir o piar de um filhote de algum pássaro que fizera um ninho no galho mais alto de uma das árvores que nos rodeavam.Era um piado fino e estridente,seria imperceptível numa situação normal,mas como eu estava naquela espécie de transe pude captar o chamado daquele pequeno filhote,como também a resposta da sua mãe que estava se aproximando,voando a alguns metros da árvore,fazendo um vôo estratégico,observando a área em busca de inimigos que pudessem ameaçar seu filho.
Eu não sabia como poderia saber disso,mas era como seu eu estivesse conectada com aquela ave,assim como me sentia conectada com aquelas árvores,com os outros pássaros que repousavam em seus ninhos,os pequenos insetos que se refugiavam entre as folhas,as mariposas que voavam ao nosso redor,as silenciosas formigas seguindo sua trilha no chão,alheias à minha presença.Um gafanhoto devorava uma folha com voracidade,toda a floresta estava em movimento,os animais seguindo suas rotinas,alimentando-se,caçando,escondendo-se,ou apenas repousando.O roçar dos galhos,o barulho da folhagem ao balançar do vento era uma sinfonia a parte.Eu estava tão imersa naquele mundo,todos aqueles sons,o cheiro de terra,de sumo e flores,os adocicado aroma dos frutos amadurecendo nos galhos próximos a mim,eu podia sentir o gosto de maçãs e amoras inundando minha boca.
Um suave calor tomou conta do meu corpo,como se um pequeno raio de sol tivesse me alcançado por entre a copa das árvores.Mas eu sabia que não era o sol já que estava de noite.Mergulhei mais fundo naquela sensação,deixando-a me dominar,impregnar-se em mim assim como o resto da floresta havia feito.Deixei aquele calor queimar minha pele e chegar até minha alma,não deixando espaço para mais nada.Era apenas eu,o mundo e a totalidade.Eu finalmente estava inteira.Eu pertencia ao mundo e o mundo me pertencia,estávamos intimamente ligados,unidos pelo mesmo fio de vida.Havia uma parte de mim em cada mínimo pedaço daquela imensa floresta,e a floresta toda estava em mim.
Eu estava totalmente consciente da presença dele sentado um pouco afastado de mim,mas ainda com aqueles olhos incríveis a me observarem.Estava consciente de tudo que acontecia em toda parte,mas o mais incrível era que eu sabia o que estava acontecendo dentro de mim,na minha alma.E eu estava fascinada.
Da mesma forma que eu sabia o que estava acontecendo ao meu redor,sabia que já era chegada a hora de voltar para a realidade.E ele estaria me esperando assim que eu abrisse os olhos.
Fui me despedindo daquela sensação boa e quente,dos pássaros,insetos,esquilos,cervos e de todos os outros animais aos quais estava conectada.Me despedi das árvores e das flores,fui deixando as impressões passarem por mim rapidamente,deixando a energia fluir por todo meu corpo e pela minha mente.Em um minuto eu estava pronta para abrir os olhos.Contei até 10,como ele me ensinou,respirei profundamente,procurando aspirar o máximo de vida possível, e então deixei a minha visão agir.
E a primeira coisa que vi foi ele,sentado bem na minha frente,a poucos centimetros de mim,mas não de forma invasiva ou desrespeitosa,de forma cúmplice,como se ele estivesse alí para viver aquele momento comigo,para me ver renascer.E era assim que eu me sentia,renascida,pura,completa e feliz por ele ser a primeira pessoa que me veria assim.
— Seja bem-vinda. — Ele disse suavemente,me dando aquele sorriso compreensivo que eu tanto amava.
Eu estava feliz em voltar.

Por: Tami Fróes

Ódio do Amor




Odeio a inconsistência das palavras não ditas,
A crueldade das situações não vividas,
A aspereza do não-toque.
Odeio a tua ausência,
Odeio o teu silêncio e a forma como você parece não sofrer por mim o que eu sofro por você.
Odeio a inegabilidade do meu amor
E as consequencias que isso me causa.
Odeio estar tão certa das coisas mais incertas
E ter tantas dúvidas do que os outros me apontam como o certo.
Odeio essa minha rebeldia,
E o fato de não saber desistir.
Odeio até a forma como ainda,depois de tudo,eu sempre volto pra você.
Odeio não saber mentir.Ou fingir.Ou atuar.
Odeio essa minha imprudente transparência
E a minha total incapacidade de me adaptar.
Odeio a forma como te procuro em todos os rostos
E me encolho sempre que me vejo num lugar cheio.
Odeio esta minha maldita amizade com a solidão
E esta minha ridícula lealdade a você.
Eu odeio cada lágrima que derramo por sua causa
E odeio cada sorriso não-dado porque não sei sorrir sem você.
Odeio as coisas eternas
E as marcas que elas deixam
Odeio o imutável
Odeio ter passado por diversas transformações,mas nunca ter mudado ou diminuído o amor que sinto.
Odeio as distâncias,
E por vezes o oceano.
Mas não odeio nada mais do que a você
Eu te odeio por estar tão impregnado em mim.
Eu te odeio por tudo isso.
Mas principalmente, te odeio por te amar tanto.