Trilha sonora da minha viagem pela Itália. Era só ouvir que me doía toda,mas uma dorzinha gostosa de quando você está vendo/vivendo/ouvindo uma coisa linda.Recomendo !
Colcha de Retalhos
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Angus & Julia Stone - Santa Monica Dream (acoustic session)
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Sinto-me enlouquecedoramente sozinha em lugares como rodoviárias e aeroportos.
É como se ficasse ainda mais claro que não faço parte dessa gente que caminha de um lado para o outro sem saber ao certo para onde está indo.É como se eu estivesse olhando através de um portal,para um mundo que não me agrada em nada.Não gosto dessa gente.E,quando de soslaio um deles me vê a observá-los,fixa-me seus olhos vazios e diz-me entre dentes : "O que está olhando,estrangeira ?Não tem nada para você aqui."
Encolho-me,retraio-me dentro da minha cápsula compacta de fantasia,dentro do meu mundo que são tantos,mas que não tem espaço pra mesquinharia dessa gente de malas nas mãos.
Misturo-me a eles,canto sua canção de busca e de perda,falo sobre tempo,política,negócios e religião.Falo e falo,não calo nem por um segundo.E quanto mais o faço,quanto mais as palavras vão fugindo por entre meus lábios,sinto-me esvaziar,secar.O lugar que aquelas preciosas palavras ocupavam vai ficando oco,quieto,mudo.Então me calo,me fecho,então paro.Por instantes nem respiro,só existo,quieta,miúda,etérea.E por um segundo a voz do mundo cala-se com o meu silêncio.E no segundo seguinte sua voz estridente volta a entoar sua canção dissonante.
Após o silêncio vem sempre a agonia,a ânsia.Vejo os outros movendo-se em todas as direções,para lugares dos quais nem sei pronunciar o nome.Vejo-os e aquela velha,amarga ânsia retorna,o desejo de correr ( mas para onde ?),de voltar (mas para onde?),de ir embora (mas para onde?),de gritar (mas com que voz ?)
É como se ficasse ainda mais claro que não faço parte dessa gente que caminha de um lado para o outro sem saber ao certo para onde está indo.É como se eu estivesse olhando através de um portal,para um mundo que não me agrada em nada.Não gosto dessa gente.E,quando de soslaio um deles me vê a observá-los,fixa-me seus olhos vazios e diz-me entre dentes : "O que está olhando,estrangeira ?Não tem nada para você aqui."
Encolho-me,retraio-me dentro da minha cápsula compacta de fantasia,dentro do meu mundo que são tantos,mas que não tem espaço pra mesquinharia dessa gente de malas nas mãos.
Misturo-me a eles,canto sua canção de busca e de perda,falo sobre tempo,política,negócios e religião.Falo e falo,não calo nem por um segundo.E quanto mais o faço,quanto mais as palavras vão fugindo por entre meus lábios,sinto-me esvaziar,secar.O lugar que aquelas preciosas palavras ocupavam vai ficando oco,quieto,mudo.Então me calo,me fecho,então paro.Por instantes nem respiro,só existo,quieta,miúda,etérea.E por um segundo a voz do mundo cala-se com o meu silêncio.E no segundo seguinte sua voz estridente volta a entoar sua canção dissonante.
Após o silêncio vem sempre a agonia,a ânsia.Vejo os outros movendo-se em todas as direções,para lugares dos quais nem sei pronunciar o nome.Vejo-os e aquela velha,amarga ânsia retorna,o desejo de correr ( mas para onde ?),de voltar (mas para onde?),de ir embora (mas para onde?),de gritar (mas com que voz ?)
sábado, 15 de janeiro de 2011
Madrugada
Frio penetra em meus ossos
Bebo uma taça de vinho,o sabor amadeirado inundando todos os meus sentidos
Luz amarelada,Reflexos estranhos na parede de madeira
Observo as manchas,as falhas,as lascas soltas
Minha mente divaga,vagueia,distancia-se
Procura pelos fragmentos da nossa história,
Os seus fragmentos,que ainda estão espalhados por todo o meu corpo
Tenho espasmos,momentos de insanidade,tremores
Sinto minha pele vibrar apenas com a lembrança do teu toque,do teu cheiro,dos teus olhos líquidos postos em mim.
Recolho os retalhos espalhados pelo chão do meu inconsciente
Costuro-os,formo imagens,fotografias borradas,páginas amareladas de livros nunca lidos,velhas músicas sussurradas no meio da noite,risadas secretas.
Após unir todos os pedaços,costurá-los com os fios dos meus cabelos,enfim consigo minha colcha de memórias.
Não sentirei mais frio.
Cubro-me de ti.
T.F.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Canção das estrelas
As estrelas contaram-me um segredo,
Um segredo de mil anos.
Elas sussurraram ao meu ouvido uma antiga canção de ninar.
A canção dizia:
"Feche seus olhos doce criança,
Deixe a canção da noite suavemente te guiar
Pelo mundo das sombras,
Pelo mundo dos sonhos,
Onde o céu é o teu lar,
E é possivel voar!
Seja uma estrela,
Brilhe,
Encante,
Transcenda;
Sonhe doce criança.
E quando acordar,
Continue a ser estrela.
Continue a sonhar."
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Richard Armitage reads poem by Ted Hughes "Song"
O Poema :
O lady, when the tipped cup of the moon blessed you
You became soft fire with a cloud's grace;
The difficult stars swam for eyes in your face;
You stood, and your shadow was my place:
You turned, your shadow turned to ice
O my lady.
O lady, when the sea caressed you
You were a marble of foam, but dumb.
When will the stone open its tomb?
When will the waves give over their foam?
You will not die, nor come home,
O my lady.
O lady, when the wind kissed you
You made him music for you were a shaped shell.
I follow the waters and the wind still
Since my heart heard it and all to pieces fell
Which your lovers stole, meaning ill,
O my lady.
O lady, consider when I shall have lost you
The moon's full hands, scattering waste,
The sea's hands, dark from the world's breast,
The world's decay where the wind's hands have passed,
And my head, worn out with love, at rest
In my hands, and my hands full of dust,
O my lady.
Music: "Serenata" - Immediate Music
Quando der traduzo,mas só essa voz já é suficiente pra fazer suspirar,uh? ;*
quarta-feira, 24 de março de 2010
Pedaços
Há pedaços de mim espalhados pelo chão do meu quarto
Lágrimas de cansaço,
Sorrisos que não dei,
Sonhos abandonados,
Restos do que eu fui.
Há pedaços de mim espalhados pelo mundo,
Gritos de euforia,
Olhares atrevidos,
Amores não esquecidos,
Todos os sonhos que ainda não sonhei.
Há pedaços de mim que nunca poderei juntar,soltos como folhas no outono,
Carregados pelo vento ,perdidos para sempre,
como chances que nunca poderei resgatar.
Tami Fróes
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Não posso fingir que você está aqui
Não posso apenas fechar os olhos e imaginar que tudo não passou de um pesadelo
Não posso me enganar mais.
Na escuridão dessa noite fria sua sombra me persegue.
Te vejo oculto entre as árvores a me observar.
Seus olhos tempestivos brilham sob o reflexo da lua cheia.
Sua pele resplandece entre as sombras.
Não importa,
Não tenho medo.
Chamo o teu nome,
Invoco a tua presença,
Espero por você a cada noite.
Abro a janela na esperança de ver a tua forma perfeita a me esperar no jardim,
Fecho os olhos e sinto o calor do teu corpo me envolver.
Tua presença nunca me abandona,
Você está em toda parte.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Amanhecer

Não quero encarar a claridade desse dia e perceber que você não está aqui
Você nunca esteve aqui
Não quero que a noite se vá e me deixe com a crueldade do dia
Nâo quero que amanheça e o que está oculto apareça
Não quero ver a sua ausência,
Tão clara ao amanhecer.
Não quero que amanheça,
E o suave véu da noite que me cobre,
Seja tirado,
Deixando-me descoberta e exposta.
Quero viver essa noite sem fim,
Onde eu posso viver a fantasia de que no outro dia você irá voltar pra mim.
Tami Fróes
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Conto

Geente,assim,vo postar um pequeno conto que escrevi esse dias,mas acho que ele vai ter continuação,to pensando ainda no que fazer.Se,e eu disse 'se' eu resolver escrever mais posto aqui,tá?
Era uma noite de lua crescente,quase cheia,meu coração estava pesado,angustiado,mas eu sabia que ao lado dele não deveria me preocupar,nada poderia me atingir alí.Aquele era o nosso pequeno paraíso,o nosso momento perfeito.E nada ficaria entre nós.
—Você confia em mim? — perguntou ele naquele seu tom de voz musical.Aqueles olhos brilhantes me deixando cega.
— É claro que confio em você. — disse eu incerta se estava dizendo aquilo porque confiava nele de verdade ou se estava me deixando levar por aqueles olhos cinza - claro e aquela voz hipnótica.
Ele então aproximou-se de mim e como se eu já pertencesse a ele tocou em minha face com doçura e intimidade,traçando delicadamente os contornos do meu rosto.Ao chegar em meus olhos fechou-os e sussurrou em meus ouvidos : — Agora deixe-se levar pelos sons ao seu redor e esqueça quem você é pelo máximo que puder.Entregue-se ao mundo e ele te dirá as respostas que deseja.
Ao dizer isso ele afastou-se e eu senti como se uma parte de mim tivesse sido tirada,um vazio apoderou-se do meu corpo,como se um membro tivesse sido amputado.Mas ouvindo o conselho dele eu apenas deixei o som do mundo me guiar,esquecendo meu nome,minha vida,esquecendo de mim.
Mantive meus olhos fechados,minhas mãos tocando a terra fria e úmida que enviava sensações estranhas pelas pontas dos meus dedos e pela palma das mãos,uma espécie de formigamento,mas não era uma sensação ruim,pelo contrário,era boa,parecia que a vida estava entrando pelos poros da minha pele.Podia sentir o pulsar do mundo na ponta dos meus dedos e aquilo me deixou extasiada.
Agucei meus ouvidos um pouco mais e pude ouvir o piar de um filhote de algum pássaro que fizera um ninho no galho mais alto de uma das árvores que nos rodeavam.Era um piado fino e estridente,seria imperceptível numa situação normal,mas como eu estava naquela espécie de transe pude captar o chamado daquele pequeno filhote,como também a resposta da sua mãe que estava se aproximando,voando a alguns metros da árvore,fazendo um vôo estratégico,observando a área em busca de inimigos que pudessem ameaçar seu filho.
Eu não sabia como poderia saber disso,mas era como seu eu estivesse conectada com aquela ave,assim como me sentia conectada com aquelas árvores,com os outros pássaros que repousavam em seus ninhos,os pequenos insetos que se refugiavam entre as folhas,as mariposas que voavam ao nosso redor,as silenciosas formigas seguindo sua trilha no chão,alheias à minha presença.Um gafanhoto devorava uma folha com voracidade,toda a floresta estava em movimento,os animais seguindo suas rotinas,alimentando-se,caçando,escondendo-se,ou apenas repousando.O roçar dos galhos,o barulho da folhagem ao balançar do vento era uma sinfonia a parte.Eu estava tão imersa naquele mundo,todos aqueles sons,o cheiro de terra,de sumo e flores,os adocicado aroma dos frutos amadurecendo nos galhos próximos a mim,eu podia sentir o gosto de maçãs e amoras inundando minha boca.
Um suave calor tomou conta do meu corpo,como se um pequeno raio de sol tivesse me alcançado por entre a copa das árvores.Mas eu sabia que não era o sol já que estava de noite.Mergulhei mais fundo naquela sensação,deixando-a me dominar,impregnar-se em mim assim como o resto da floresta havia feito.Deixei aquele calor queimar minha pele e chegar até minha alma,não deixando espaço para mais nada.Era apenas eu,o mundo e a totalidade.Eu finalmente estava inteira.Eu pertencia ao mundo e o mundo me pertencia,estávamos intimamente ligados,unidos pelo mesmo fio de vida.Havia uma parte de mim em cada mínimo pedaço daquela imensa floresta,e a floresta toda estava em mim.
Eu estava totalmente consciente da presença dele sentado um pouco afastado de mim,mas ainda com aqueles olhos incríveis a me observarem.Estava consciente de tudo que acontecia em toda parte,mas o mais incrível era que eu sabia o que estava acontecendo dentro de mim,na minha alma.E eu estava fascinada.
Da mesma forma que eu sabia o que estava acontecendo ao meu redor,sabia que já era chegada a hora de voltar para a realidade.E ele estaria me esperando assim que eu abrisse os olhos.
Fui me despedindo daquela sensação boa e quente,dos pássaros,insetos,esquilos,cervos e de todos os outros animais aos quais estava conectada.Me despedi das árvores e das flores,fui deixando as impressões passarem por mim rapidamente,deixando a energia fluir por todo meu corpo e pela minha mente.Em um minuto eu estava pronta para abrir os olhos.Contei até 10,como ele me ensinou,respirei profundamente,procurando aspirar o máximo de vida possível, e então deixei a minha visão agir.
E a primeira coisa que vi foi ele,sentado bem na minha frente,a poucos centimetros de mim,mas não de forma invasiva ou desrespeitosa,de forma cúmplice,como se ele estivesse alí para viver aquele momento comigo,para me ver renascer.E era assim que eu me sentia,renascida,pura,completa e feliz por ele ser a primeira pessoa que me veria assim.
— Seja bem-vinda. — Ele disse suavemente,me dando aquele sorriso compreensivo que eu tanto amava.
Eu estava feliz em voltar.
Por: Tami Fróes
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